Á custa de querer ganhar
Todos os meus argumentos
Acabei embrutecido
Foram vãos os meus intentos

Se me ameaças a importância
Dou-te no intelecto um murrro
Para que não se perceba
Que na verdade sou burro

Eu bem sei, é uma tristeza
Esta forma de viver
Finjo sempre ter certeza
Apesar de não a ter

E assim, aprisionado
Numa artificial imagem
Aceito que a minha eloquência
Não passou de uma miragem

Percebam minha posição
Da arrogância, o esmero
Para ao menos algumas vezes
Tudo ser como eu quero.

É assim minha estratégia
Sei que é de pouco juízo
Ganhar metade das vezes
É, pois, um cálculo preciso

Assim, bem alternado
Sou importante à metade
Ora jogo o rei tirano
Ora amuo com maldade

Tudo isto acabo, então
Por nunca bem perceber
Alguém que me dê a mão
Quero aprender a viver

Talvez seja esse Cristo
De que tanto falar ouvi
Que me diz “Serve os outros”
Não faças caso de ti.


Sei que vós desejais
Que eu volte a nascer
Rezai por mim amigos
Isso vai acontecer

Já o sinto bem em mim
A imensa luz aumentar
É o princípio e o fim
Morrer para ressuscitar!

Junqueira, 8/5/2021