Já dizia o Agostinho
Bem mais duro que a acção
É ficar assim quietinho
Deitado no seu colchão

Assim estou em bem à espera
Quieto a contemplar o céu
Pois que chegue a primavera
Do destinho que é só meu.

Hei-de um dia ter que ser
Da vida um grande motor
Isso não sou eu a ver
Quem só sabe é o Senhor.

Passo os dias atentendo
O que eu acho ser menor
Talvez esteja enganado
E sejam já tarefas-mor

Não espero pela sorte
Aproveito o meu dia
Não olhar para o futuro
Pois que o presente me fugiria.

Ás vezes dão-me vontades estranhas
Nesta minha vida errática
Por exemplo, apetecía-me agora
Fazer exercícios de matemática

Como nos tempos de mestria
Em que era quase um vício
Resolver do princípio ao fim
Um difícil exercício

Agora resolvo pouco
Dando espaço para pensar
Mas também não fico mudo
Tenho sempre o que dar

Devo estar sem fazer nada
Ou um pouco aborrecido
Alguma coisa hei-de ter feito
Para merecer este castigo.

domingo, oito de outubro de dois mil e dezassete